A pergunta que se impõe é simples: estão as empresas a definir uma estratégia de digitalização que dê às suas equipas financeiras, e não só, condições para serem mais produtivas? A produtividade, esse conceito, por vezes, abstrato, mas que nos coloca frequentemente atrás das grandes economias europeias. Essa palavra que surge sempre que falamos de desempenho económico, de orçamento de Estado, de aumentos salariais, de semanas de trabalho reduzidas. Esse objetivo que todos os líderes de equipas se impõem em momentos de avaliação. Mas será ela sempre mensurável? E que condições estamos verdadeiramente a criar para melhorar este indicador nas empresas? Tomemos como exemplo as equipas financeiras. Apesar do seu papel estrutural numa empresa, a sua produtividade é mais difícil de medir do que a de outras equipas. A comercial é avaliada pelas suas vendas, a de produto é avaliada pelos lançamentos. Terão as empresas clareza sobre as métricas que poderão ser implementadas na área financeira? Podemos destacar quatro: a eficiência operacional, que se traduz, por exemplo, no fecho do mês em dois dias úteis em vez de cinco ou mais, ou na rapidez no processamento de despesas e faturas que permite obter dados em tempo real dos gastos da empresa para suporte à análise e decisão. O rigor financeiro: menos erros em lançamentos e pagamentos, auditorias sem reservas e prazos fiscais cumpridos sem coimas. O impacto na tesouraria, ou seja, assegurar o recebimento dos clientes mais depressa, pagar aos fornecedores no momento certo, aproveitando descontos de pronto pagamento. Por fim, há o controlo de custos, que se traduz em poupanças negociadas, em desvios orçamentais dentro de margens definidas e numa política de despesas efetivamente cumprida. São metas ambiciosas, especialmente para empresas que não reavaliam a sua estratégia e ferramentas de transformação digital. A realidade de muitas equipas financeiras ainda passa por ter um colaborador exclusivamente dedicado a rever faturas de fornecedores para identificar erros e comunicá-los para correção, ou ter a última semana de cada mês totalmente dedicada a perseguir colaboradores que ainda não entregaram o seu mapa de despesas, ou a reconciliar as despesas com os extratos dos cartões bancários. Muito trabalho manual, com elevada margem de erro e baixo valor acrescentado. A pergunta que se impõe é, por isso, simples: estão as empresas a definir uma estratégia de digitalização que dê às suas equipas financeiras (e não só) condições para serem mais produtivas? A tecnologia já existe. A inteligência artificial desvendou um mar de oportunidades que ainda tem muito por desbravar. E o benefício vai muito além da produtividade. Libertar o tempo das pessoas permitirá revelar o seu talento e valor, podendo mesmo ser transformador para a operação das empresas. E os diretores financeiros (ou CFOs, caso prefiram o termo em inglês) ganham controlo sobre as finanças da empresa, visibilidade em tempo real, essencial para uma tomada de decisão mais rigorosa. As empresas premeiam a produtividade e a Autoridade Tributária isenta-a de impostos. Mas isso só poderá acontecer se existirem verdadeiramente condições para que as equipas se tornem mais eficientes. Cabe às empresas avaliarem quanto do trabalho das suas equipas se prende em tarefas que já não devem ser feitas à mão. Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1 Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74 2740-122 – Porto Salvo, Portugal online@ medianove.com
También lo cubren: Jornal Económico (Portugal).
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