Os estabelecimentos de ensino básico e secundário que recusem a introdução de ferramentas de Inteligência Artificial generativa nas suas salas de aula vão perder o acesso ao motor de busca tradicional da Google. A multinacional anunciou uma atualização global às políticas de segurança e governação para o setor educativo, determinando que o ecossistema de IA passará a estar desligado por omissão nas contas de estudantes até ao 12.º ano (K-12), mas incluiu a própria Pesquisa Google nesse pacote de bloqueio prévio. Resultado: impede os agrupamentos escolares de ativarem a pesquisa convencional na Internet sem adotarem em simultâneo os novos assistentes e resumos algorítmicos. A medida coloca diretores escolares e ministérios da Educação perante uma decisão de tudo ou nada. Embora a empresa promova esta alteração como um reforço da autonomia institucional, a configuração técnica dos serviços não permite dissociar a navegação na Web dos modelos de linguagem. Se os administradores escolares mantiverem a IA desativada, as contas institucionais dos alunos deixam de conseguir pesquisar no Google, deparando-se com um ecrã de serviço indisponível. A interdependência entre as duas ferramentas foi esta semana confirmada pelo vice-presidente e diretor-geral de Educação da Google, Chris Phillips, durante uma sessão de esclarecimento com jornalistas internacionais: "A pesquisa e a Inteligência Artificial estão profundamente integradas", afirmou o responsável. "Se uma escola decidir que não quer a Inteligência Artificial ligada e mantiver essa opção desligada, os alunos com contas escolares não terão acesso à Pesquisa. Verão uma mensagem da sua escola a indicar que o serviço não está disponível", detalhou Phillips. Perante o impacto e as reservas manifestadas por analistas e comunidades educativas após a apresentação, a Google veio a público prestar esclarecimentos adicionais e defender o modelo adotado. Fonte oficial da tecnológica garantiu que o propósito da nova política é "proporcionar mais escolha, e não menos, às lideranças escolares", sublinhando que a opção de manter os sistemas desligados por defeito visa precisamente impedir a introdução de qualquer ferramenta sem consentimento administrativo prévio. A empresa sustentou ainda que a evolução do motor de busca reflete transformações estruturais da Web que não podem ser operadas como produtos separados, assegurando, contudo, que os administradores terão flexibilidade para aplicar as autorizações de forma gradual, diferenciando o acesso por níveis de ensino ou grupos específicos de estudantes. No comunicado oficial que formalizou as diretrizes, Chris Phillips enquadra a mudança como uma tentativa de conciliar inovação com salvaguardas institucionais. "O nosso objetivo é simples: fornecer aos líderes escolares o controlo e a confiança necessários para utilizarem produtos de IA nas salas de aula da forma que considerarem mais adequada", diz o responsável. A prática, no entanto, suprime a possibilidade de uma transição que preserve o motor de busca tradicional desprovido de agentes sintéticos. A par das alterações na Pesquisa, a Google iniciou a disponibilização global no Google Classroom do Guided Learning, um modo pedagógico que passa a orientar as interações dos alunos. Em vez de facultar respostas imediatas aos enunciados escolares, o sistema foi programado para recorrer a perguntas abertas e explicações passo a passo, promovendo o chamado esforço produtivo ("productive struggle"). A funcionalidade começará também a ser integrada a título experimental na Pesquisa Google para contas de estudantes nos Estados Unidos, antes de chegar a outras geografias. Em termos práticos, este faseamento significa que o impacto não será imediato nas salas de aula portuguesas. Embora a diretriz de manter o Gemini desligado por defeito no Workspace for Education já se aplique a nível global, o Guided Learning e o consequente bloqueio condicionado na Pesquisa arrancam este mês apenas em regime-piloto em esc
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