O presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, avisou esta quinta-feira, 5 de novembro, que o problema da habitação “vai demorar anos” a resolver, mais do que uma legislatura, considerando que a solução não virá só de uma ou duas medidas. “Não vale a pena achar que é com uma ou duas medidas que se vai resolver este problema, que vai demorar anos” , advertiu, durante a apresentação de resultados da Caixa Geral de Depósitos (CGD) dos nove primeiros meses do ano, em Lisboa, na nova sede da instituição financeira, em Lisboa. O CEO do banco público – instituição que registou um lucro líquido de 1.434 milhões de euros de janeiro a setembro, mais 2,5% do que no mesmo período de 2025 – disse que é adepto de se incentivar o aumento da oferta de casas, através de várias medidas. Isso “não pode ser só através do financiamento e da garantia, tem que ser através de várias medidas”, de rendas acessíveis e de “casas a preços controlados, de habitação pública”, exemplificou. “Sou a favor dessas várias medidas” , disse. “Sou a favor da garantia. Prefiro que haja mais pessoas com acesso a casa – e não acho que o preço vem da garantia, vem de não haver 300 mil casas” , referiu. Paulo Macedo disse que esta é questão “não só muito séria, mas que se vai arrastar durante anos, porque Portugal não vai fazer 300 mil casas em dois anos, nem em três” , perspetivou. O gestor considerou ainda que a subida dos preços das casas em Portugal está acima do normal, mas avisou que será difícil que baixem. “Uma das variáveis que não é totalmente falada é que em 6-7 anos [...] tivemos mais de um milhão de pessoas e, portanto, temos uma procura totalmente diferencial face à oferta” , disse, sublinhando que “enquanto estes valores não se aproximarem – e a maior parte das pessoas que procuram casa são jovens –, será difícil o preço das casas baixar” , reforçou. Outra questão diferente, frisou, é o valor das casas de segmento muito alto, onde “os preços ainda são mais expressivos”, cuja tendência deverá seguir o mercado internacional. “Relativamente ao preço das casas, não acho esta subida normal” , admitiu. Paulo Macedo disse que “é preciso ver um horizonte para as diferentes medidas que já foram aprovadas” , dando como exemplo a simplificação nos licenciamentos, em que umas câmaras serão mais rápidas e outras mais morosas. O presidente executivo da CGD afirmou ainda que é preciso tornar as casas mais baratas. Relativamente a incentivos fiscais, defendeu que se seja mais seletivo, quer para o lado da oferta, quer para o lado da procura. Paulo Macedo sustentou ser necessário haver um mercado arrendamento muito mais dinâmico e estável, para os proprietários colocarem no mercado casas com confiança relativamente às regras de atualização das rendas. O CEO mostrou-se favorável a que haja algum tipo de habitação destinada a trabalhadores em mobilidade, como professores, forças de segurança e profissionais de saúde, e quanto a apoios direcionados a jovens, considerou que são importantes.
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