Economista e Gestor. Presidente da APM - Associação Portuguesa de Management O futuro da economia portuguesa depende cada vez mais da capacidade das fileiras económicas e das suas empresas apostarem numa agenda de crescimento. A fileira da madeira e mobiliário, com a coordenação da sua Associação AIMMP liderada por Vítor Poças, tem realizado um percurso de gestão inteligente da sua cadeia de valor com resultados muito positivos em termos de indicadores económicos e operacionais, que a tornam um estudo de caso dos princípios da Teoria da Competitividade de Michael Porter. Na sequência duma análise à sua evolução sinalizam-se vários pontos – a dimensão sustentada do crescimento (aumento do número de empresas, reforço do volume de negócios e melhoria do capital investido), a aposta na inteligência económica (associada a uma gestão colaborativa da cadeia de valor, em articulação com os principais stakeholders ) e o exemplo de uma boa-prática, assente no papel de intermediação inteligente da AIMMP como plataforma de apoio à inovação e internacionalização como vetores centrais para a competitividade da fileira. O sucesso do crescimento das nossas empresas é fundamental para o futuro do país. É um objectivo que não se concretiza meramente por decreto. É fundamental que a nossa economia agarre a verdadeira aposta estratégica coletiva para os próximos anos. O que está verdadeiramente em causa em tudo isto é a assunção por parte do país dum verdadeiro desígnio estratégico de alterar o modelo mais recente de evolução de desenvolvimento económico. Inovação, conhecimento e criatividade são as palavras-chave de uma estratégia centrada na criação de valor global com efeito no emprego e riqueza. A preocupação em envolver os atores de inovação neste processo fará a diferença. Também nesta área muito interessante e inovador o exemplo da fileira do mobiliário e madeira ao reforçar as ligações com centros de competência e de tecnologia que possam acrescentar valor em termos das novas soluções propostas para os mercados. A qualidade de produtos e serviços apresentados pelas empresas nos diferentes mercados é a melhor demonstração do sucesso desta política de inovação aberta desenvolvida pela fileira. A capacidade de criação de mais valor empresarial que as empresas da fileira têm sabido demonstrar assenta também muito num sentido de articulação estratégica entre as atividades principais e as de suporte, num compromisso permanente entre inovação e eficiência. A aposta na tecnologia na melhoria de processos e a dinamização de uma cultura de talento são marcas de uma agenda que tem reforçado o posicionamento da fileira e das suas empresas nos principais mercados internacionais. A economia portuguesa precisa de um novo choque. E compete às fileiras e às suas empresas a liderança do processo de mudança. Impõem-se exemplos capazes de projetar no país uma dinâmica de procura permanente da criação de valor e aposta na criatividade. Num tempo de mudança, em que só sobrevive quem é capaz de antecipar as expectativas do mercado e de gerir em rede, numa lógica de competitividade aberta, os bons exemplos – como a madeira e o mobiliário- não podem demorar. Têm que ser a base do futuro que queremos que seja já hoje!
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