A madrugada do dia 4 trouxe-nos a evidência de que a onda azul era quase uma certeza no panorama político norte-americano. No Estado do Texas onde os democratas não provavam o poder desde 1988, James Talarico acabou com o jejum do partido azul conquistando um lugar no Senado. Daí para a frente, para quem passou a madrugada a seguir as televisões, era a constatação de uma vitória que fez os Estados Unidos e o mundo respirar de alívio. É o começo do fim do regabofe Trumpista. Com a maioria democrata no Congresso e no Senado, Trump fica agora com as mão atadas sobre a futura gestão presidencial. É provável que chovam os inquéritos sobre o que andou a fazer nestes seus dois últimos anos de exercício presidencial. Como a alegada corrupção com o enriquecimento dele e da sua família usando o aparelho de Estado. Segundo a Forbes e o Brenan Center, 2,7 mil milhões de dólares é a estimativa de quanto Trump aumentou a sua fortuna nestes dois anos de mandato. A questão agora é o futuro. O que vai fazer Trump depois dos seus 80 anos. O que vai mudar na política norte-americana? Qual o rumo que o Partido Republicano vai tomar? Vamos continuar a ver nas ruas do Texas a actuação bárbara do ICE, com a detenção ilegal de imigrantes, jardineiros, pedreiros, trabalhadores agrícolas, que apenas aguardavam a emissão da sua autorização de residência? Será que os democratas vão conseguir pôr fim aos ataques indiscriminados à Justiça, aos procuradores e juízes que não seguiam a cartilha de Trump? E que dizer dos cortes às instituições científicas e às Universidades. Os democratas têm agora a missão histórica de inverter o rumo da barbárie cultural em que Trump lançou o (ainda ) mais poderoso país do mundo. É provável que na agenda democrática possa estar o impeachment de Trump. A questão é saber se o Partido Democrata vai conseguir reunir as condições políticas e os dois terços no Senado necessários para enviar Trump para Mar-a- Lago, ou, quem sabe, para uma qualquer cadeia estadual. No capítulo da política externa talvez uma futura Comissão de Inquérito possa vir a revelar ao mundo as razões da preferência e da amizade de Trump pelo que é, nos dias de hoje, um dos maiores criminosos que o mundo conhece: Putin. Aliás, este é dos derrotados da madrugada eleitoral. Com duas guerras em presença, o que vão os Estados Unidos fazer em relação à Ucrânia e ao Irão? Esta última é um dos mais significativos disparates da política externa de Trump. O povo norte-americano e o mundo estão a pagar caro a aventura Trumpista, que está a fazer subir o custo de vida e a trazer incerteza económica a todo o planeta. Os democratas, com os instrumentos políticos que o povo americano lhes deu, devem agora agir no sentido de reparar toda a série de disparates que Trump andou a fazer nestes dois anos. Será curioso verificar se os Estados Unidos vão regressar à anterior ordem mundial ou se Trump vai conseguir prosseguir a sua desastrosa agenda de política (?) externa. O que vão os Estados Unidos, daqui para a frente, fazer com a Ucrânia? Voltar a apoiar sem reservas um povo que apenas luta pela sua liberdade e afirmação como país soberano ou Washington vai continuar de cócoras face a um ditador, imperialista, que hoje é já um manifesto criminoso de guerra? Os democratas vão usar a sua vitória para repôr a amizade dos Estados Unidos com os que foram sempre os seus parceiros estratégicos?Sim, com a Europa, com os países amigos da Ásia, com o Canadá e com a Austrália! Este é o grande desafio que os democratas enfrentam agora. Não chega condicionar ou acabar com o regabofe Trumpista. É necessário que os eleitores e o mundo percepcionem que o Partido Democrata vai prosseguir um caminho que reponha os Estados Unidos numa trajectória política consequente e na família a que sempre pertenceram. A família da paz, da democracia, da liberdade e dos direitos humanos. Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico
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