Mais de metade dos profissionais de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS) afirma “não saber” responder a questões relacionadas com financiamento. A terceira edição do Barómetro de Integração de Cuidados (BIC), promovido pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), conclui que a dimensão financeira é a que regista mais dificuldades de integração. O estudo, baseado na perceção de 2676 profissionais de saúde do SNS, de 39 Unidades Locais de Saúde (ULS), sobre o nível de integração de cuidados nas suas unidades, revela que a dimensão financeira é a que regista pior desempenho (2,90, numa escala de 1 a 5), "com 52% dos profissionais a afirmarem “não saber” responder a questões relacionadas com financiamento". A pontuação global das seis dimensões avaliadas - clínica, informação, normativa, administrativa, financeira e sistémica - é de 3,29 pontos, mantendo-se inalterada face à edição anterior, e aponta para a necessidade de reforçar os mecanismos de coordenação, partilha de informação e gestão integrada. A dimensão normativa continua a apresentar a perceção mais positiva, com 3,97 pontos, refletindo o reconhecimento da existência de normas, regulamentos e referenciais comuns às unidades que integram as ULS, diz o comunicado da APAH. A comparação em função do tempo de funcionamento das ULS indica que as unidades criadas antes de 2024 apresentam uma perceção global mais positiva da integração de cuidados (3,42 pontos) do que as mais recentes (3,28 pontos). O Alentejo apresenta a perceção global mais positiva (3,33), seguido de perto pelo Norte (3,32), sendo que o Algarve regista a menos positiva (3,00). A dimensão normativa agrega a perceção mais positiva em todas as regiões, enquanto a financeira apresenta a menos positiva. Estas observações sugerem "que os principais pontos fortes e desafios são relativamente transversais às várias regiões", diz o comunicado Ao nível da integração clínica, a gestão transversal do percurso do doente surge também como uma oportunidade de evolução, nomeadamente pela reduzida perceção de atribuição de gestores de caso. Nas regiões Norte e Centro, a classe de Técnicos Auxiliares de Saúde e Administradores Hospitalares continuam a apresentar melhor perceção de integração clínica. Os resultados do estudo "mostram que a integração é mais reconhecida nos elementos que estabelecem uma base comum de funcionamento entre as diferentes unidades". Segundo o comunicado, "a existência de ferramentas e canais de comunicação partilhados, como a Intranet e o acesso aos contatos dos profissionais, está entre os aspetos mais bem avaliados". A análise "sugere que estão consolidadas várias das condições estruturais necessárias à integração". Em conclusão, "persistem desafios na transformação destas condições estruturais em práticas efetivas de integração no quotidiano das ULS. A reduzida visibilidade sobre a componente financeira, nomeadamente sobre os custos associados aos doentes e às patologias, continua a ser uma fragilidade". Também a articulação entre unidades funcionais apresenta "margem de melhoria, tanto no conhecimento da atividade das restantes unidades como nos incentivos à cooperação". O Barómetro de Integração de Cuidados é uma iniciativa promovida pela APAH, com o apoio da EY e dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, da Bayer Portugal e da Portuguese Association for Integrated Care (PAFIC).
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