Vsevolod Chentsov: “Devemos evitar qualquer situação em que a Ucrânia é discutida sem a nossa participação”

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Vsevolod Chentsov: “Devemos evitar qualquer situação em que a Ucrânia é discutida sem a nossa participação”

Vsevolod Valeriyovych Chentsov nasceu há 52 anos na região de Lviv na República Socialista Soviética da Ucrânia. Quando se formou em Direito já era cidadão de um país independente. A sua carreira profissional confunde-se com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde ao longo de três décadas, entre outras funções, chefiou os departamentos relacionados com os tratados internacionais e as questões jurídicas externas. De 2007 a 2011, foi vice-chefe da delegação da Ucrânia na UE, tendo regressado a Bruxelas, em 2021, para chefiar a delegação. Cargo que ocupou até ser nomeado vice-primeiro-ministro, em agosto. Nesse hiato, liderou o Departamento da UE do ministério. Por vezes não colocamos a nós próprios essas questões, e continuamos a trabalhar, que foi o que fizemos. Não foi fácil, porque a pressão era elevada, houve mudança de governo e a situação económica era muito difícil. Contudo, conseguimos assinar o acordo e ele entrou em vigor. Conseguimos também a isenção de vistos com a UE, e desde 2017 os ucranianos viajam livremente para a UE. Estamos a construir as nossas relações com a UE com base neste acordo. Durante a guerra tem sido extremamente útil, porque o acordo inclui também uma componente de comércio livre. Devido à guerra russa, que na verdade começou em 2014 com a anexação da Crimeia e que, desde 2022, é uma agressão em grande escala, a UE tornou-se o nosso principal parceiro comercial: mais de metade do comércio tem a UE como destino ou origem. Em 2022, apresentámos o pedido de adesão plena à UE, mas o que pretendo salientar é que não estamos a partir do zero. O que fizemos em 2014 criou uma boa base para o passo seguinte. Não devemos nem sobrestimar nem subestimar a Rússia. É um país perigoso, um vizinho agressivo e, muito provavelmente, continuará a sê-lo durante algum tempo. Mas nós tivemos de mudar. Tivemos de construir o nosso exército e a nossa indústria de defesa para podermos defender-nos. Depois desta guerra, que espero que termine com uma paz estável e justa, teremos de continuar a reforçar a nossa defesa e a partilhar a nossa segurança com os nossos aliados europeus. Neste momento, encontramo-nos numa fase já bastante avançada. Abrimos quatro dos seis grupos de negociações e realizámos o chamado processo de front-loading [preparação antecipada]. Aproveitámos este período, em que o processo político estava bloqueado, para nos prepararmos para as negociações. Penso que é bastante realista abrir os dois grupos restantes no final do ano. Entretanto, já começámos a trabalhar nas matérias abrangidas pelos seis grupos temáticos. Adotámos o nosso programa nacional de adaptação da legislação ao acervo comunitário [legislação da UE]. De acordo com os nossos planos, pretendemos concluir esta parte legislativa, mais ou menos, nos próximos 16 meses. Refiro-me à parte legislativa. É também muito importante obter o chamado IBAR, o relatório de avaliação dos parâmetros de referência intercalares para o grupo 1. Peço desculpa por este jargão da UE, mas diz respeito aos capítulos respeitantes ao Estado de direito, à reforma anticorrupção, às autoridades de aplicação da lei e à reforma e construção institucional. Este agrupamento é o primeiro a ser aberto e o último a ser encerrado. Quando o país candidato recebe esta avaliação, torna-se possível começar a encerrar capítulos e grupos. O nosso objetivo é obter este relatório na primavera do próximo ano. A ideia é continuarmos a trabalhar na legislação e, assim que atingirmos a maturidade nos temas e capítulos relevantes, começarmos a encerrá-los. Se conseguirmos aprovar toda a legislação necessária durante o próximo ano, então, em 2028, poderemos encerrar muitos grupos e concluir o tratado. O tempo que os Estados-membros levarão a ratificá-lo dependerá da situação. Como sabe, no próximo ano haverá eleições em vários Estados-membros, não em Portugal, tanto quanto sei, mas em França e na Polónia. Por isso, temos de fazer tudo o que está ao nosso alcance e, depois, garantir que

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