Esta voz foi gerada com recurso a inteligência artificial, a partir do resumo do artigo original. Embora esta tecnologia tenha sido concebida para ser útil e precisa, pode conter erros. Se consideras que o áudio não está claro ou não reflete bem o conteúdo, envia o teu feedback . A tua opinião é importante para ajudar a melhorar esta funcionalidade! Este resumo foi criado com recurso a inteligência artificial. Embora esta tecnologia tenha sido concebida para ser útil e precisa, pode conter erros ou não captar todas as nuances importantes do artigo. Se consideras que o resumo não está claro ou não reflete bem o conteúdo, envia o teu feedback . A tua opinião é importante para ajudar a melhorar esta funcionalidade! Há debates que o país, ciclicamente, insiste em fazer em tempos e salas separadas: o problema da habitação, uma agricultura que deixou de garantir a nossa subsistência e o despovoamento do interior. São, no fundo, um só. Comecemos pelo que comemos. Segundo o INE, em 2025 Portugal comprou ao estrangeiro, sem contar as bebidas, mais 6.256 milhões de euros em produtos agrícolas e alimentares do que aqueles que lhe vendeu. Produzimos 16,8% dos cereais de que precisamos (excluindo o arroz), 75,1% da carne e 72,6% da fruta. Em 1990, o trigo nacional cobria quase 60% das necessidades, mas em 2021, apenas 6,3%. Em boa verdade, “o pão de cada dia” vem, em grande medida, de fora. Nas décadas de 60/70, mais de quatro em cada dez portugueses ativos trabalhavam no setor primário e existiam quase 600 mil explorações agrícolas. Já em 2023 restavam apenas 261 mil. Com a entrada na Europa, que nos trouxe tanto de bom, aceitámos, porém, desmantelar muito do que produzíamos, dos cereais à pesca, a troco de subsídios. O campo esvaziou-se e o litoral encheu-se. Olhemos agora para a casa. Segundo dados do Idealista, divulgados em março, a renda mediana por metro quadrado era de € 21,70 em Lisboa e de € 6,70 em Bragança, portanto mais do triplo. A renda mediana mensal rondava os € 425,00 em Miranda do Douro e € 1.651,00 em Sintra. Esta diferença não é mero acaso, mas o resultado de décadas em que o país se foi concentrando no litoral: os empregos, os serviços, as universidades, enfim, o investimento público. Acumulámos a procura onde ela já existia e agora espantamo-nos com os preços! A pressão sobre Lisboa e o Porto e o despovoamento do interior são duas faces da mesma doença. Nem todas as casas que faltam em Lisboa têm de ser construídas em Lisboa, pois muitas já existem no interior, à espera de quem lhes voltem a abrir as janelas. Mas só as abrirá quem ali tiver do que viver e condições para viver. E aqui entra o debate sobre a terra: temos de deixar de olhar para a agricultura como o setor primário, no sentido menor que damos à última palavra, e reconhecê-la como aquilo que é: o Primeiro setor e mais importante setor (expressão, aliás, frequente e sabiamente utilizada pelo ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes). No interior, é ela que ainda segura muitas aldeias. Cada família que vive da terra sustenta o comércio, enche as escolas e justifica o centro de saúde. O mundo de hoje tornou esta conta ainda mais urgente. A guerra na Ucrânia ensinou-nos o preço do trigo, e o bloqueio do Estreito de Ormuz, o dos fertilizantes, com a ureia a subir 80% em dois meses. Não defendo a utopia de um país autossuficiente em tudo, pois o nosso solo e o nosso clima não o consentem. Mas o Alqueva, por exemplo, mostrou o que a água pode fazer, e Portugal produz hoje quase duas vezes e meia o azeite que consome. Nada disto se faz sem rendimento e ninguém se fixa nem mantém para perder dinheiro. O país precisa de preços justos à produção e de uma cadeia alimentar que deixe valor em quem produz. Coesão territorial, mais do que discursos, é isto mesmo: água armazenada e bem gerida em todo o território, jovens com acesso a oportunidades, independentemente do local onde residem, casas devolutas reabilitadas, escolas, médicos e estradas. Terra cultivada é g
Ver más en News Today