No budismo, a morte não é o fim imediato

Fuente: SAPO 2025 SAPO · sociedad · Portugal, Portugal

No budismo, a morte não é o fim imediato

A forma como as sociedades ocidentais encaran o fim da vida continua a ser marcada por um profundo tabu, mas diferentes tradições culturais propõem perspetivas alternativas sobre o tema. No âmbito do podcast Temos Tempo Para Morrer, conduzido por Raquel Bulha e pela antropóloga Clara Saraiva, o professor de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e professor de meditação Paulo Borges aborda a morte a partir da visão do budismo tibetano. Para o especialista, refletir sobre a finitude não representa qualquer obsessão com o fim, mas sim a aceitação de uma certeza inevitável e inseparável da própria existência. Neste contexto, o budismo encara o falecimento de uma forma que desafia os costumes ocidentais, sugerindo inclusivamente que as crianças participem nos rituais fúnebres para compreenderem a impermanência das coisas. Um dos pontos centrais desta abordagem filosófica e espiritual diz respeito ao momento da morte física e ao que lhe sucede. Segundo a tradição tibetana, a cessação das funções corporais não equivale ao fim imediato da consciência, estimando-se que exista um período de transição que pode prolongar-se até quarenta e nove dias antes de um novo renascimento. É por esta razão que os rituais recomendam evitar mexer no cadáver durante os primeiros três dias, permitindo que as energias abandonem o corpo de forma gradual e mantendo um ambiente de tranquilidade em redor de quem partiu. O percurso de Paulo Borges inclui também a colaboração com profissionais de cuidados paliativos, aos quais propõe um exercício de introspeção sobre a gestão do tempo, os ressentimentos por resolver e o desapego material. O convidado defende que o maior sofrimento no momento final decorre frequentemente de vidas que não foram vividas plenamente, sublinhando que a contemplação da morte serve precisamente para valorizar o presente e focar no que é verdadeiramente essencial. #Budismo #Morte #Filosofia #Sociedade #Podcast #Fonte: SAPO

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