Reportagem DN: as razões de quem dorme no chão de uma das principais praças da capital portuguesa

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Reportagem DN: as razões de quem dorme no chão de uma das principais praças da capital portuguesa

Fomos escutar as razões de quem dorme no chão de uma das principais praças da capital portuguesa. No Rossio há várias semanas que estudantes, pais preocupados e muitos profissionais liberais, não arredam pé pelo direito à habitação. Uma reportagem para ler, ver e ouvir aqui e nas redes sociais do DN: A esta hora, começa a Assembleia Popular deste sábado no Rossio, desta vez com um mote especial de convite aos sindicalistas feito nos últimos dias. O primeiro a falar foi José Abrantes, trabalhador de call-center e parte da direção Nacional do SINTTAV, Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual, organização filiada na CGTP. O sindicalista agradeceu ao movimento por “dar voz” a quem não conseguia fazer lo, sublinhando que “a habitação é um problema que está, entre outras várias coisas, ligado ao trabalho”. “Todos aqui sabemos bem como os nossos salários subiram tostões, quando subiram. E ao mesmo tempo as rendas, os preços das casas, continuam a subir e sobem exponencialmente para valores que ninguém consegue pagar”, denunciou. “As acampadas vieram dizer que não, nós não estamos condenados a essa mesma vida de trabalho e a viver em quartos as nossas vidas inteiras, sem possibilidade de ter uma vida digna”, disse ainda. No dia em que o protesto da Acampada de Lisboa pela Habitação cumpre três semanas nas ruas, o Diário de Notícias está a acompanhar os eventos do dia, incluindo a Assembleia Popular que vai decorrer ao início desta noite. Apesar do despacho emitido pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, as tendas continuam em força no Rossio, assim como toda a infraestrutura que a acompanha e várias pessoas de várias idades: de jovens adultos a pais com crianças pequenas. Dois toldos já têm comida disponível a quem quiser tirar, incluindo bolachas e alguns snacks de granola. Decorreu também um cinema insuflável no centro da praça e um concerto já habitual da Primavera de Coros. Os comerciantes da Baixa de Lisboa estão com receio que uma época de Natal conturbada possa levar ao encerramento de várias empresas e despimento de pessoas, disse à Lusa um representante. O vice-presidente da União de Associações do Comércio e Serviços (UACS), Jorge Nuno Sá, disse hoje à Lusa que “a não existência de uma época normal de Natal pode levar a uma crise económica nesta zona, ao desemprego de várias pessoas e ao encerramento de várias empresas”. A mesma fonte afirmou ainda que “a acampada está a trazer prejuízo objetivo ao comércio da cidade de Lisboa, nomeadamente da Baixa”. Questionado pela Lusa, Jorge Nuno Sá acredita que está instaurado um clima de insegurança naquela zona da cidade, impedindo a livre circulação de pessoas, que leva a população a evitar a baixa de Lisboa. “Isto repercute-se em empregos, em condições de vida de uma série de pessoal, nós temos aqui o tecido comercial da Baixa da cidade, são pequenas, médias e microempresas, de índice familiar com um, dois, três funcionários, e esta gente pode ver inclusivamente os seus postos de trabalho ameaçados”, asseverou. “Portanto, estamos a acrescentar a um problema que é legítimo e que se pode discutir, que é a habitação, uma crise social e uma crise económica nesta zona da cidade”, acrescentou. A UACS vai reunir-se com o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, na segunda-feira, para discutir os temas relativos aos efeitos da acampada na baixa de Lisboa. O grupo Mães pela Acampada promove este sábado, 7 de novembro, uma vigília em Lisboa contra as cargas policiais sobre manifestantes pelo direito à habitação, com concentração às 19:00 nos Restauradores seguida de deslocação em silêncio para o Rossio. “Exigimos o fim imediato das cargas policiais sobre as acampadas. Pedimos respeito pela liberdade de expressão e de protesto, pedimos resposta às causas de justiça social que defendem as pessoas que se manifestam. Não as vão encostar à parede: elas estão voltadas para o futuro” , indicaram em comunicado. A concentração está marcada para as 19:0

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