Cerca de 200 pessoas estiveram hoje quase uma hora em silêncio sentadas no chão na praça dos Restauradores, no centro de Lisboa, em protesto contra a violência policial. A vigília foi marcada pelo movimento Mães pela Acampada, surgido na sequência das acampadas pela habitação e das intervenções da polícia para dispersar os manifestantes no Porto e em Lisboa, e pretendeu alertar que "com violência nada se faz", como explicou à agência Lusa uma das mães organizadoras. Com alguns cartazes e pequenas tendas em papel no chão com a frase "Teto para toda a gente", os participantes foram acompanhados por um coro, composto por membros de vários grupos corais. O grupo, constituído nomeadamente por famílias, permaneceu de forma ordeira na praça e foi acompanhado à distancia pela polícia, sendo visíveis seis viaturas. Os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades. A intervenção da PSP para dispersar as acampadas e retirar as tendas no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, culminou em cargas policiais que provocaram dezenas de feridos e a abertura de um processo da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) à atuação da polícia. O grupo Mães pela Acampada surgiu na sequência das cargas policiais, formado principalmente por mães e familiares de jovens manifestantes, procurando garantir o respeito pelo direito fundamental ao protesto pacífico e à manifestação. Os manifestantes exigem, entre outras coisas, a reversão da nova lei do arrendamento, um travão à aquisição de habitação por parte dos fundos imobiliários e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda. Renata Cambra, cuja intimação tem estado na base da continuidade da Acampada de Lisboa com tendas no Rossio, considerou na assembleia popular que as tendas terão de sair da praça do Rossio devido à instalação do Mercado de Natal, pretendido por Moedas. Numa declaração feita na Assembleia Popular, a fundadora do movimento do Trabalhadores Unidos acreditou que é praticamente inevitável que as tendas sairão no fim de semana, com ou sem interferência da polícia. Cambra propôs, também, a retirada das tendas já esta madrugada, evitando uma nova interferência policial e retomar a acampada no Jardins das Francesinhas, junto à Assembleia da Republica, no dia 21 de novembro, ficando até à votação global do Orçamento no dia 24. Fomos escutar as razões de quem dorme no chão de uma das principais praças da capital portuguesa. No Rossio há várias semanas que estudantes, pais preocupados e muitos profissionais liberais, não arredam pé pelo direito à habitação. Uma reportagem para ler, ver e ouvir aqui e nas redes sociais do DN: A esta hora, começa a Assembleia Popular deste sábado no Rossio, desta vez com um mote especial de convite aos sindicalistas feito nos últimos dias. O primeiro a falar foi José Abrantes, trabalhador de call-center e parte da direção Nacional do SINTTAV, Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual, organização filiada na CGTP. O sindicalista agradeceu ao movimento por “dar voz” a quem não conseguia fazer lo, sublinhando que “a habitação é um problema que está, entre outras várias coisas, ligado ao trabalho”. “Todos aqui sabemos bem como os nossos salários subiram tostões, quando subiram. E ao mesmo tempo as rendas, os preços das casas, continuam a subir e sobem exponencialmente para valores que ninguém consegue pagar”, denunciou. “As acampadas vieram dizer que não, nós não estamos condenados a essa mesma vida de trabalho e a viver em quartos as nossas vidas inteiras, sem possibilidade de ter uma vida digna”, disse ainda. No dia em que o protesto da Acampada de Lisboa pela Habitação cumpre três semanas nas ruas, o Diário de Notícias está a acompanhar os eventos do dia, incluindo a Assembleia Popular que vai decorrer ao início desta noite. Apesar do despacho emitido pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, a
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