Céu nublado antes da chuva que se avizinha. Escassez de chuva e de... ideias. Jogo pouco conseguido entre ambas as equipas que terminou com um ponto para cada lado. Resultado justo pelo futebol apresentado pelos dois conjuntos. Duas formações que vinham de «ressacas» das derrotas com os grandes. O Alverca na visita ao Benfica e o Casa Pia na receção ao Casa Pia. Eram, portanto, duas equipas que procuravam reencontrar o caminho das vitórias. Acima de tudo, era um dérbi. E isso por si só já valia (ou pelo menos devia) muito. A jogar em casa, os ribatejos impuseram-se nos minutos inicias. Os gansos pouco, ou nada, fizeram. A turma de Sérgio Ferreira era dona e senhora do jogo. Podia, perfeitamente, ter aberto o marcador cedo – não fosse o desperdício inacreditável de Davy Gui. O Casa Pia foi crescendo no jogo e chegou mesmo a aquecer as luvas de Matheus Mendes. Do lado esquerdo. Pauwels obrigou o guardião brasileiro a uma defesa apertada. O aviso estava dado. A equipa de Filipe Coelho viria mesmo a abrir o marcador – para contrariedade dos adeptos da casa. Num lance de insistência, a bola sobrou para Henrique Araújo. O avançado ex-Benfica fez um passe açucarado para Selvi Clua, que surgiu solto de marcação a empurrar para o golo. As equipas foram, assim, para intervalo com os gansos a voarem mais alto. No segundo tempo, pelo menos nos instantes inicias, parecia efetivamente que o Casa Pia voltara do intervalo melhor. Isto porque, à medida que o tempo ia avançando, o Alverca ia dando sinais de alguma ansiedade. Sérgio Ferreira já preparava mexidas. Dois avançados prontinhos para entrar. Mas sabia ele que estava prestes a marcar. Foi na sequência de um canto, cobrado do lado esquerdo, que o Alverca chegou ao empate. Ian Luccas subiu mais alto e, na zona do primeiro poste, cabeceou para o golo, repondo a igualdade no encontro. A ansiedade que se sentia há minutos dissipou-se e a turma ribatejana voltou a querer tomar as rédeas do jogo. Também empurrados pelos adeptos, o Alverca voltou a chegar mais vezes ao último terço, mesmo que sem criar grande perigo. Faltou, de facto, chegar ao golo - de ambos os lados. Os guarda-redes dos dois lados foram meros espetadores nos minutos finais com pouco ou nenhum trabalho. No final, ninguém reencontrou o caminho das vitórias. Podemos, por isso, declarar uma espécie de «paz podre» no dérbi entre gansos e ribatejanos. Num jogo de poucos brilhantismos a nível individual, o médio brasileiro foi dos que fez a exibição mais consistente. Não só pelo golo marcado. Mas, também, pelas ligações através do passe e pela contribuição defensiva. Na reta final, pelo cansaço, perdeu protagonismo - mas não deixou de ser do mais assertivos. Três jogos se passaram desde que o Alverca marcou um golo. Adivinhava-se que poderia ser um quarto… até que tudo a bola parada mudou. Ian Luccas subiu ao primeiro andar para tirar um peso das costas de Sérgio Ferreira – e para relançar o jogo, diga-se de passagem. Quebrou-se o jejum dos golos. E isso é sempre algo que merece nota. O Casa Pia, depois de estar perto de descer na temporada passada, arrancou esta época com quatro derrotas seguidas (e uma goleada das antigas frente ao Benfica). Parecia quase condenado… até que começou a reagir. Venceu Estoril e Estrela da Amadora fora de casa. E, no reduto do Alverca, conseguiu, pelo menos, resgatar mais um ponto fora contra um adversário direto.
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