Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril. Segundo a mitologia grega, Licurgo, rei do povo edônio, na Trácia, cometeu um crime contra Dionísio, o deus do vinho e da alegria. Ele proibiu o culto ao deus em seu território e perseguiu seus seguidores com um machado. Em uma das versões do mito, Ambrosia, uma das seguidoras de Dionísio, transformou-se em uma videira (planta que produz a uva) e aprisionou Licurgo com seus galhos. Essa cena é retratada em alto-relevo em um cálice de vinho da era romana, conhecido como Taça de Licurgo. Mas a história mitológica não é o único aspecto interessante do objeto: ele também muda de cor . Quando a luz ilumina a taça pela frente, ela apresenta uma tonalidade verde-jade. Porém, quando a luz é posicionada atrás do cálice, o vidro ganha uma coloração vermelho-rubi. Uma das hipóteses é que a mudança tenha sido pensada como uma referência ao amadurecimento das uvas. Confira: A taça tem 16 cm de altura e 700 g – um peso descomunal para os padrões atuais. Haja braço para tomar um gole depois que você já está ébrio com Dionísio. O corpo de vidro é envolto por uma estrutura externa vazada chamada de “gaiola”, ornamentada com os motivos mitológicos que já citamos ali em cima. A peça está em um impressionante estado de conservação, mas tem um passado misterioso. Até hoje, os especialistas não sabem ao certo onde foi encontrada originalmente. O objeto foi comprado pelo Museu Britânico em 1958, da coleção de uma família rica que possuía o artefato desde o século 19. Estudos indicam que a taça foi feita em algum momento entre 290 e 325 d.C., em Alexandria ou Roma, e que era destinada a ocasiões especiais. Os elementos metálicos que compõem sua borda e sua base teriam sido acrescentados séculos depois, por volta de 1800. Taças desse tipo já eram mencionadas em registros históricos da Roma Antiga, mas há poucos exemplares conhecidos. A técnica por trás da mudança de cor é uma forma incipiente de nanotecnologia. O vidro contém partículas minúsculas de ouro e prata em concentrações ínfimas. Elas mudam a forma como o vidro dispersa a luz, privilegiando certas frequências (e portanto, certas cores) em detrimento de outras. Quando a luz atravessa o vidro, as nanopartículas absorvem as tonalidades azuis e verdes, mas permitem que o vermelho passe. Já quando a luz é refletida pelo material, a taça adquire a aparência verde-jade. Assim, dependendo da posição da fonte de luz em relação ao observador, o cálice apresenta cores diferentes. Diversas pesquisas já tentaram recriar esse tipo de vidro, com diferentes graus de sucesso. Em outubro de 2026, uma equipe da Universidade de Sheffield , na Inglaterra, chegou a uma receita reprodutível. Confira: Uma questão que permanece em aberto é: os artesãos romanos adicionaram esses metais ao vidro de propósito, quase dois milênios atrás, ou as nanopartículas foram parar acidentalmente no vidro durante sua fabricação? Ainda não há uma resposta definitiva. A receita de Sheffield, porém, dá algumas pistas. A técnica Lisa Hollands, que liderou o trabalho com a arqueóloga Caroline Jackson, especialista em vidro romano, começou reproduzindo um vidro comum da época, com matérias-primas parecidas com as que os roman
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