Gostaria de receber as principais notÃcias do Brasil e do mundo? Gostaria de receber as principais notÃcias do Brasil e do mundo? Acesse seus artigos salvos em Minha Folha , sua área personalizada Acesse os artigos do assunto seguido na Minha Folha , sua área personalizada Gostaria de receber as principais notÃcias do Brasil e do mundo? Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. [RESUMO] O britânico Leslie Bethell, um dos mais importantes pesquisadores da história do Brasil, completa 90 anos em fevereiro. Morador do Rio há quase duas décadas, ele relembra sua origem operária, a formação intelectual e os vÃnculos com o Brasil, onde vive o paradoxo de se definir como uma pessoa de esquerda, mas ser visto como um historiador conservador, defensor do Império Britânico. Bethell mostrou nos anos 1970 como a intervenção da Marinha inglesa foi crucial para pôr fim ao tráfico de escravizados, depois coordenou a prestigiosa coleção de história da América Latina de Cambridge e fundou, nos anos 1990, o Centro de Estudos Brasileiros na Universidade de Oxford, extinto em 2007 por desinteresse do governo brasileiro e de seus pares acadêmicos ingleses. O brasilianista Leslie Bethell já não se lembra se foi ele quem ligou para o também historiador Eric Hobsbawm, ou se foi o contrário. Em outubro de 2002, quando o candidato do PT , Luiz Inácio Lula da Silva, afinal se elegeu presidente do Brasil depois de três sucessivas derrotas, Bethell e Hobsbawm moravam em Oxford, na Inglaterra. De lá, do outro lado do Atlântico, acompanhavam atentos as chances do petista. Foi a notÃcia da apuração de votos, e a perspectiva de vitória da esquerda, que motivou o telefonema. Bethell, um dos principais pesquisadores em lÃngua inglesa da história do Brasil, e Hobsbawm, um dos mais importantes historiadores do século 20 , eram amigos desde os anos 1960. Filho da classe operária do norte da Inglaterra, Bethell militou, quando jovem, no Partido Trabalhista. Hobsbawm fazia parte, então, do grupo de historiadores marxistas que buscava renovar a historiografia britânica. Origem social e afinidade ideológica ajudam a explicar por que, em 2002, os dois não apenas tivessem simpatia por Lula e pelo Partido dos Trabalhadores, mas torcessem abertamente por sua vitória. "Nós nos falamos pelo telefone, assistindo à apuração", contou Bethell, recentemente. "Estávamos entusiasmados." A alegria era tanta que alguém propôs abrir um champanhe. "O Eric disse: âVamos, venha aqui para casaâ. Então peguei o carro e fui." Segundo Bethell, ele e seu amigo comunista abriram não uma, mas duas garrafas de espumante, celebrando a tão esperada âe adiadaâ chegada de Lula ao Planalto. "Uma vitória para a esquerda! Uma vitória para o socialismo!", repetiam, ao fazer os brindes. Foi então, lembrou Bethell, que o autor de "Era dos Extremos" , aumentando a dose de autoironia que já temperava a festa, fez uma observação compatÃvel com as décadas de conhecimento histórico acumulado entre os dois. Adivinhando o que vinha pela frente, Hobsbawm olhou para o amigo e disse: "Agora, só nos resta esperar pela decepção". Leslie Bethell fará 90 anos em fevereiro de 2027. Há quase cinco décadas, seu nome é automaticamente associado à história do Brasil, no mundo de lÃngua inglesa. Em boa medida, o modo como pesquisadores, professores e estudantes norte-americanos e europeus compreendem o Brasil é, ainda hoje, impactado por decisões editoriais e institucionais tomadas por ele. Nos anos 1970, quando começava na carreira acadêmica, Bethell foi convidado a organizar a prestigiosa coleção de História da América Latina de Cambridge , na qual fez questão de enxertar mais capÃtulos sobre o Brasil do que muita gente do mundo "hispanohablante" considerava razoável. Enquanto ainda editava os livros derrad
También lo cubren: Folha de S.Paulo.
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